Avisos do Vesúvio

04/12/2011

 

Móbile

Moves. Move-me. Não me seguro. Espio.
Move-me, desplaça-me, desabraça-me
Onde me apoio, me perco, a solicitação
Teu viver é móvel, teu amar não óbvio
Tuas palavras, desprezo e atração
O amor não te move. Move-me. O quê?
Saber o rumo da embarcação
Mas me cativas, me hedonizas.
Escravo do instável, me apego ao não 
No desespero, imaginação.
Move-te. Tu. Perde-me. Não.
De ti me perco. De mim, me desvario.
Já não espero o concreto 
Me jogo. Esforço de redenção

 


Escrito por Frank de Oliveira às 11h53
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29/04/2011

Céu de estrelas

O mundo acabou em muitos sentidos. Acabou um pouco dentro de mim. Acabou um pouco fora, nas coisas que não amo mais. Os místicos disseram que do milênio não passava. Eu passei, estou aqui, embora estejamos todos nós indo, quem sabe para um horizonte que nunca existiu. Ela me disse em meu ouvido, no meio da noite escura: estamos numa "época fim-início". Entendi, mas fiz que não, esperando que a voz dela continuasse, que colorisse a noite, espantasse o sono. Planetas lentos adentraram nesses últimos anos o início de alguns signos, ela acrescentou. E eu compreendi então, mesmo sem entender muito de tudo aquilo, por que os acontecimentos para nós de repente tinham ficado tão intensos, tão simultâneos. Pensei comigo que a solução da permanência nossa por aqui incluía ter fôlego, coragem e sabedoria. Quis falar disso a ela, mas aí o sono já a tinha levado. Então olhei por uma última vez o céu, fechei os olhos e fiquei pensando em como a vida pode ser bonita mesmo em suas versões mais delicadas.

[Com Renata da Cunha]

 


Escrito por Frank de Oliveira às 10h18
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27/04/2011

Escutei a música Yeshanti, em hebraico, sem entender nada. Fiquei imaginando o que a moça estaria dizendo. Saiu este texto.

 

Você é doce

 

Você é doce,

Como uma manhã...

Você é doce,

Como uma manhã...

 

Você me coloca em mim,

Você me traz de fora de mim,

Você me fala de mim para mim

Me faz amar os meus medos

Todos os meus medos

 

Não sei de você,

Quase nada

Só sei de você

Do que constrói em mim

 

A sua voz é como uma espada

Que me transpassa e me faz sofrer

Que me embala na noite escura

Que me domina, que vem

Que se insinua

 

A sua voz é como uma espada

A sua voz é como uma espada

A sua voz é como uma espada

A sua voz é como uma espada

 

Na minha noite, na noite no meu inverno

Está sempre você


Escrito por Frank de Oliveira às 16h56
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02/08/2010

 

Cara, você é muito estranho...

 

Minha amiga Pat Lau esteve em crise. Nada tão complicado, nem tão simples. Seu Outlook deixou de funcionar. Sim, o prosaico Outlook, mandador e recebedor de mensagens, resolveu não mandar, nem receber. Calou-se, fechou-se. Nem disse que ia se insurgir, pois isso seria enviar uma mensagem, e mensagens era algo que ele de fato não queria enviar.

Aconteceu no sábado à tarde, quem sabe fosse isso mesmo o que ele desejava. Desculpa de fim de semana, compreensível até. Se os paulistas vão para a praia, se os homens vazios saem à caça nos bares cheios, por que o Outlook não podia se recolher, um pouquinho que fosse, se isolar por um tempinho?

Mas Pat Lau não aceitou disso, pouco lhe importavam as razões, aliás, ela, quem sabe egoísta, nem se perguntou. Apenas lhe interessavam suas inquietudes, as mensagens que queria mandar e as que esperava receber, um inteiro mundo de ideias e sentimentos, subitamente travado pela trava do Outlook.

Ela mesma disse: “Me sinto como uma criança a quem de repente lhe tiraram o doce. Me sinto pequena, indefesa.” Não disse apenas para si mesma, mas buscou o auxílio nem sempre tão luxuoso dos amigos, para isso traindo o próprio Outlook. Aventurou-se a passar mensagens em lugares estranhos, às vezes inóspitos, como facebooks e assemelhados, expondo em arena pública o que era para ser uma conversa de três: ela, seu interlocutor e o desprezado Outlook. Pat, que eu julgava tão sensível – dizem por aí que ela é até poeta –, pouco se importou com o mensageiro mecânico. Disse apenas que ele existia para servi-la e que assim tinha de ser.

Eu, que não tinha nada a ver com o assunto, precisei ir no socorro dele, por vias adversas, a lembrar a ela sobre o outro mundo que poderia estar acontecendo ali. Como ela poderia saber dos momentos de obscuridade que ele passara na – pretensa – pane que ocorrera naquele sábado à tarde?

Quando o Outlook voltou a atuar, Pat ficou feliz, confraternizou com os amigos, mandando até mais mensagens do que seria o comum. Ficou exultante, eu diria. Mas será que, no fundo, ela pensou no bem que ele, o mensageiro de todas as horas, teria sentido, de repente liberto, ainda que por momentos, do eterno fardo de enviar e receber mensagens?

Sei que em seu egoísmo cibernético, Pat Lau não parou para pensar que aquela abstinência de palavras pudesse ser salutar, um alívio delicado para quem era sempre atravessado por elas, o tempo todo, sem trégua nem alforria.

Tudo passado, tudo resolvido, olhei nos olhos de Pat Lau e implorei a ela que não perguntasse a ele onde tinha estado nos momentos de fuga. Que ao menos respeitasse a preciosa lembrança do silêncio que ele provavelmente carregava, a sensação boa da falta das palavras, livre do conhecimento que esse não falar lhe poupara. Eu disse, ou melhor, quase gritei: “Pat, às vezes, a ausência pode ser vida!!!”

Pat Lau não se abalou. Segurou no braço, me encarou demoradamente, um olhar muito frio, e falou: “Cara, você é muito estranho. Estranho pra caramba, sabia?”

 


Escrito por Frank de Oliveira às 13h28
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15/04/2010

 

Em resposta à pergunta “Como você espreme a pasta de dentes?”

[com um agradecimento a Regina Delduque]

 

Como? Sim. Sei. Às vezes mais ordenadamente, meticulosamente, de baixo para cima, empurrando com jeito todo o conteúdo do tubo para não desperdiçar nada, algo milimétrico, ajustado e ponto. Ou seja, acho, com juízo, sem ímpeto, talvez só com decisão, premeditada e consciente. Outras vezes diferente, de qualquer jeito, com a cabeça na lua, o coração lá longe, pensando naquele amor que foi sem nunca ter sido, ou conforme dá vontade na hora, apertando no meio, com todos os dedos, sôfrego até, sem nenhum juízo, sem vontade nenhuma de ter juízo. 

Ou melhor. Ou não. Antes com juízo. Sim, outrora, como quando eu tinha medo de ser e não amava a vida, e não a vivia e a registrava apenas, em folhas de caderno amarelecidas, puídas, folhas que ninguém ia nunca ver, que alguém ia encontrar um dia, depois de minha morte, e ficar perguntando se devia porventura guardá-las ou queimá-las... Hoje, diferente. Hoje outro. Sem me preocupar se é com juízo ou sem juízo. Apenas com o objetivo maior de que a pasta saia, que seu destino se cumpra, inexorável, e que ela sirva para o que deve servir.

Porém, confesso, vez por outra, como numa recaída, ou para me ajeitar internamente, apertando o tubo de baixo para cima, mesmo com ele tampado, meramente para recompor um quadro, uma forma, que nunca mais poderão ser iguais, que não se retomam porque modificados, e pronto. Ainda assim tentando, buscando uma forma mais ordenada, um equilíbrio estético, que atenda à minha vontade de me aquietar interiormente e de olhar com olhos de esteta a forma do tubo a se recompor, a se amoldar, na tentativa de voltar a ser o que já foi um dia. Em busca assim de um equilíbrio visual, que de alguma forma favoreça o outro equilíbrio, meu equilíbrio vital.

No fim, quem olha de fora vê um tubo banal de pasta sendo espremido. Quem olha de dentro, vê recolhimento, mosaico se refazendo num encontro silente. E junto a tudo uma discreta e secreta vontade de ser feliz.


 


Escrito por Frank de Oliveira às 09h06
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07/04/2010

 

 

Não nos cansamos, não é, meu amor?

 

Meu amor, há quanto tempo temos 20 anos? Há quanto tempo guardamos essa juventude, forjada nessas invenções da ciência, que se de um lado me deixam feliz pelo vigor que tenho para te amar nas noites de outono, por outro me fazem sonhar em envelhecer do jeito que faziam os antigos.

Por força desse viço artificial, perdi talvez a oportunidade de ver meus cabelos se tornarem brancos, perdi a chance de olhar o mundo com outros olhos, de diminuir meu ímpeto conforme a cobrança da idade assim determinasse. Lembro de meu pai, que tanto andou na vida, aos poucos diminuindo o ritmo, deixando-se domar pelo cansaço das fibras. E acho que não gostaria de me lembrar dele como um eterno garoto saltitante, a dirigir lepidamente um conversível vermelho. Gosto sim de me visualizá-lo com a paz que a idade lhe deu, a serenidade que o tempo, ao se sobrepor a seu orgulho viril, lhe concedeu como um presente para terminar seus dias.

Você sabe, meu amor, hoje estou com a idade com que ele faleceu, pelo menos falando na contagem dos anos, oitenta e dois para ser mais exato. No entanto, sou esse homem artificial, biônico, um fruto da tecnologia que este século 21 rapidamente construiu – e olhe que estamos apenas no meio dele ainda. Talvez para engrandecer as multinacionais dessa falsa saúde, me tornei como tantos outros um eterno jovem, um Dorian Gray pós-moderno. Quem dera ao menos no retrato eu envelhecesse.

Eu, você, todos nós, sucumbimos a esse canto de sereia da beleza e da juventude eternas. E estamos aqui agora, padronizados, assépticos, pasteurizados. A crença no domínio eterno da vida nos fez esquecer de nós mesmos, da nossa essência. Para que filosofar se a vida não nos põe medo? Sim, existem os acidentes, é claro. Possíveis. Mas também, como você sabe, minha querida, todo nosso código está muito bem guardado, e um êmulo nosso pode ser feito a qualquer hora, inclusive com todas as lembranças... Ah, as lembranças. Quem dera eu não as tivesse mais todas, quem dera ganhasse o bálsamo do esquecimento, esquecer dos momentos ruins e poder então descansar. Mas não. Não nos cansamos, não é, meu amor?

Até o nosso encontro amoroso perde um pouco o sentido, pois podemos prolongá-lo eternamente. Ah como queria sentir de novo o gosto de me perder no sono, com a cabeça nos teus seios, ser  um velho e assim ser de novo o menino que fui até que essa ciência estranha criasse esse outro mundo de perfeição e ao mesmo tempo de perdição. Ah, querida minha, não nego a beleza da tua juventude perene, mas às vezes gostaria de te ver amadurecida pelo tempo, com o encanto das várias idades.

Porém somos isso, essas réplicas de nós mesmos, um excesso de vida que parece negar a própria vida. Não terá toda essa nossa ciência o poder de nos deixar envelhecer e morrer? Às vezes, meu amor, tudo que eu queria era poder deitar e descansar. Para sempre.


Escrito por Frank de Oliveira às 16h26
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17/02/2010

O quase famoso Frank está escrevendo

 

 


Bom, agora chegou a hora de o garoto Frank escrever alguma coisa. Garoto não, ele já é um homem feito, vivido, experiente. Qualquer morador desse país, em algum dia, de alguma forma, leu uma linha escrita pelo popular Frank.

O popular Frank é quase famoso, quase conhecido. Alguns o leram, mas não sabem que o leram. Outros o leram, sabem que o leram, mas não dão a menor importância. Outros há que o leram, sabem que o leram, mas não gostaram da experiência. E há, por fim, os que não o leram, não o lerão e têm raiva de quem o lê. Quanto a esses últimos, é difícil explicar tanta ojeriza: uns dizem que é a inveja do sucesso, outros, como uma famosa psicóloga, afirmam que é o medo do novo, do desconhecido.

É mesmo difícil lidar com os textos do quase famoso Frank. Aliás, nem ele mesmo sabe, como confessou numa recente entrevista a um jornal de bairro: “Eu não sei como escrevo. As palavras vêm de um lugar desconhecido, ao qual nem sempre tenho acesso”.

Uma declaração tão fantástica como essa só poderia vir de um ser tão iluminado como o escritor Frank – diga-se de passagem, um rótulo com o qual ele diz ter muita dificuldade para se acostumar. Até porque o incrível Frank costuma dizer que rotularia de descabido qualquer rótulo com que alguém o rotulasse.

Pois assim é, amigos: neste instante é exatamente a hora em que o poderoso Frank, autor quase famoso, está escrevendo mais um incrível texto. Ninguém sabe onde ele faz isso, se numa choupana nos Alpes, num parque em Nova York ou num iate na Polinésia. Mas ele escreve, escreve muito.

Ele escreve e se diverte, enquanto nós aqui, que não sabemos escrever, esperamos ansiosos por uma mais uma linda pérola de sentimento e saber.

 


Escrito por Frank de Oliveira às 15h39
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13/04/2009

 

Descobrimento


O índio fala.

Deus dos cabelos cor de ouro, és então o Prometido, aquele a quem por tantas luas aguardamos? Ouviste a nossa espera, cumpriste a profecia? Pesa-te a tua missão ou é encargo de amor e de entrega, que te completa o corpo e a alma? És o enviado dos deuses ou sou eu apenas um visionário? Vieste para eliminar a dor, para casar o Sol e a Lua que moram em cada um de nós? É aqui o teu reino ou escondes teu paraíso do outro lado do oceano?

 

O branco fala.

Homem da pele que o sol coloriu, a lição és tu quem me ensinas. Um dia saberei que me enganei de riqueza e, cego, errei o alvo de minha ambição. Minha sina é buscar teu ouro e te roubar a alma e esquecer tua lição de amor. Tu, filho inocente da natureza, que pisas o paraíso e não pressentes. Perdoa a meu corpo por deixar correr nele o sangue que há de te esmagar e destruir. Ser humano sou. E por humano ser desafio os deuses e suas amorosas leis.

 


Escrito por Frank de Oliveira às 22h39
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17/02/2008

Sonhos ao sol

 

Ando com saudades da nossa conversa sem palavras

Do jeito nosso de olhar e não dizer dizendo.

Saber que por si quase nada o coração revela...

Mas tudo ainda assim absolutamente pleno.

 

Ando com saudades da nossa conversa feita de presenças

E da ausência prenhe do que há por se afirmar.

Com as penas da dúvida faço asas de cera

E busco com elas o raro dom de voar.

 

Ando com saudade da nossa conversa desengonçada,

forjada em silêncios fáceis de se ouvir.

Poemas proféticos, cheios de vazios,

Ecos do que nem sei se quero traduzir.

 

Durmo então assim na escuridão forçada

com medo de expor sonhos ao sol da manhã,

e ver trazida à luz a verdade cifrada

de que em todo amor não há certeza vã.


Escrito por Frank de Oliveira às 09h50
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24/09/2007

 

Bailando

 

 

Baila comigo numa espiral ascendente.

 

O céu nos convidou, no paraíso a orquestra é 

 

caliente, tem salsa, mambo, dante e beatriz.

 

Por ti, por mim, rosto colado, corações

 

ardentes, vamos beber do fogo que nos queima.

 

A felicidade é mesmo uma arma quente.

 


Escrito por Frank de Oliveira às 07h40
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30/08/2007

Nos olhos do poeta

 

Barcos.

Meu pensamento à deriva,

Paris, cidade minha.

 

A tarde vai ter todo o tempo para descer.

Nossos amores deslizam pela beira do rio.

Quero me afogar em saudade,

até que o horizonte seja apenas uma interrogação

 

Nuvens esparsas em locais isolados.

Nada existe por detrás das muralhas.

Ouço um outro rio em minhas veias.

 

Não cantarei a tristeza de um mundo caído.

Carlos poeta, como dói a tua falta

nesse árido horizonte.

 

Meu coração faz de conta.

Quando essa viagem terminar já estarei velho,

E olharei o mar,

E sentirei saudade,

E imaginarei um corpo à deriva,

Uma tarde descendo,

Um reencontro e um abraço

Que nunca houve.

 

No olhar de Carlos.

 


Escrito por Frank de Oliveira às 07h22
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Fernando exposto à visitação pública

Vejo as roupas de F, rasgadas
Pedaços delas espalhados, pisados
por incautos admiradores
ou inimigos confessos.

Fernando está exposto, ele e sua poesia.
Tão guardado estava e agora lá está
Como um faquir das palavras...
Seu sofrimento e gozo são diversão alheia

A noite o escondeu com suas sombras. Em vão.
Agora o sol alimenta os olhares à saciedade.
A turba se nutre dos versos soltos,
que antes eram alimento de traças diletas >
nas gavetas do coração do homem.

Dilacerados o homem e sua obra,
os corvos Poe-ticos das migalhas de rimas se fartam
Enquanto adeptos tentam recompor frases
Salvar textos que ninguém leu
Por egoísmo ou medo de seu criador.

Fernando está exposto, e com ele sua poesia.
Quisera não fosse eu o cronista dessa barbárie
E, pior, não fosse, secretamente,
O que com a destruição se encanta
E nela vê, quase embevecido,
o chamado dos deuses para recriar


Escrito por Frank de Oliveira às 07h18
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04/05/2007

[atenção: o poema continua nas mensagens seguintes]

Nos solavancos da van

 

Hoje eu vim, minha gente.

Lembrando a viola do artista,

que é Paulo e leva no nome.

 

Hoje eu vim, minha gente,

mas não pensei em Paulinho,

e sim numa tarde boa,

num fim de ano qualquer,

quando vim com minha filha,

que às vezes me surpreende,

pelo que sei e não sei.

 

Luísa veio comigo,

cantando sambas a rodo,

feito uma nega da escola,

chegada a um batuque bom.


Escrito por Frank de Oliveira às 07h24
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Nós viemos, eu e ela,

numa perua bem cheia,

de quase desconhecidos,

a não ser por sua mãe,

quero dizer a mãe dela.

 

E enquanto a gente cantava,

com o samba na goela

aquele povo falava,

de coisas várias do mundo,

coisas do mundo, galera.

 

Luísa surpreendia:

até ali eu não sabia

que ela sambasse no pé.

A culpa era da cadência,

do coração compassado,

que batia por um branco,

um alemão batuqueiro,

que desacata no pandeiro.


Escrito por Frank de Oliveira às 07h23
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Hoje eu vim, minha gente,

lembrando a roda de samba

que eu e Luísa fizemos,

nos solavancos da van.

 

Para os outros, foi bagunça.

Ou apenas diversão.

Pra ela, foi alegria,

um ecoar da paixão.

Para mim foi só flutuar,

contentamento de pai,

que eu nem sei explicar.

 

Pensei em fazer poesia,

Mas decidi só sentir.

Guardei no bolso a caneta,

cantei e deixei rolar.

Ninguém compreenderia

Um verso naquela hora

 


Escrito por Frank de Oliveira às 07h22
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