Avisos do Vesúvio

30/08/2007

Nos olhos do poeta

 

Barcos.

Meu pensamento à deriva,

Paris, cidade minha.

 

A tarde vai ter todo o tempo para descer.

Nossos amores deslizam pela beira do rio.

Quero me afogar em saudade,

até que o horizonte seja apenas uma interrogação

 

Nuvens esparsas em locais isolados.

Nada existe por detrás das muralhas.

Ouço um outro rio em minhas veias.

 

Não cantarei a tristeza de um mundo caído.

Carlos poeta, como dói a tua falta

nesse árido horizonte.

 

Meu coração faz de conta.

Quando essa viagem terminar já estarei velho,

E olharei o mar,

E sentirei saudade,

E imaginarei um corpo à deriva,

Uma tarde descendo,

Um reencontro e um abraço

Que nunca houve.

 

No olhar de Carlos.

 


Escrito por Frank de Oliveira às 07h22
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Fernando exposto à visitação pública

Vejo as roupas de F, rasgadas
Pedaços delas espalhados, pisados
por incautos admiradores
ou inimigos confessos.

Fernando está exposto, ele e sua poesia.
Tão guardado estava e agora lá está
Como um faquir das palavras...
Seu sofrimento e gozo são diversão alheia

A noite o escondeu com suas sombras. Em vão.
Agora o sol alimenta os olhares à saciedade.
A turba se nutre dos versos soltos,
que antes eram alimento de traças diletas >
nas gavetas do coração do homem.

Dilacerados o homem e sua obra,
os corvos Poe-ticos das migalhas de rimas se fartam
Enquanto adeptos tentam recompor frases
Salvar textos que ninguém leu
Por egoísmo ou medo de seu criador.

Fernando está exposto, e com ele sua poesia.
Quisera não fosse eu o cronista dessa barbárie
E, pior, não fosse, secretamente,
O que com a destruição se encanta
E nela vê, quase embevecido,
o chamado dos deuses para recriar


Escrito por Frank de Oliveira às 07h18
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